quinta-feira, 25 de julho de 2013
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Senadores já defendem mudar o acordo ortográfico
De Brasília
Um grupo de senadores e de professores já articula mudanças no novo
acordo ortográfico após o governo federal adiar para 2016 a entrada em vigor
das novas regras.
O adiamento foi revelado pela Folha ontem. A implementação integral do
acordo, adotado pelos setores públicos e privados no país desde 2008, estava
prevista para o início do próximo mês.
Para pessoas envolvidas no processo, o adiamento acontece para que
discordâncias em relação às mudanças na grafia das palavras em português sejam
resolvidas, tanto no Brasil como no exterior.
"Há descontentamento. Se não tivesse, ninguém pediria um adiamento
de três anos. Se fosse por problemas de aplicação, um ano bastaria",
afirma o senador Cyro Miranda (PSDB-GO).
A senadora Ana Amélia (PP-RS) também defende mudanças. "Não se
quer mutilar o acordo. A gente quer aperfeiçoá-lo para que seja de boa aceitação",
afirma.
No entanto, o Itamaraty e o Ministério da Educação, pastas envolvidas
na implementação da medida, dizem que a revisão do acordo não está em
discussão.
Eles sustentam que o objetivo do adiamento é alinhar o Brasil aos
prazos de Portugal --que tem até 2015 para adotar plenamente as mudanças.
Já o professor Ernani Pimentel, idealizador do movimento que defende a
simplificação da língua portuguesa, afirma que o ministro Aloizio Mercadante
está sensibilizado para a necessidade de alterações nas regras.
Segundo Pimentel, é preciso acabar com a característica de
"decoreba" do acordo. "Agora, é questão de a gente organizar a
discussão."
Procurado, o ministro Mercadante não falou. Mas o atual secretário de
educação básica do MEC e futuro secretário da Educação da Prefeitura de São
Paulo, Cesar Callegari, descartou alterações.
"A posição do governo é no sentido de respeitar acordos, produzir
os resultados que dele devem derivar e se colocar à disposição, quando
necessário, em processos revisores", disse Callegari.
O decreto que adia para 2016 a entrada em vigor do novo acordo
ortográfico no Brasil chegou, ontem, à Casa Civil. A medida depende agora da
assinatura da presidente Dilma Rousseff.
fonte:http://www1.folha.uol.com.br/educacao/1204698-senadores-ja-defendem-mudar-o-acordo-ortografico.shtml
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Exposição sobre a vida e a obra de Carlos Drummond de Andrade
Agência Brasil
A partir de amanhã (18), Brasília recebe uma exposição com
elementos da vida e da obra de Carlos Drummond de Andrade. A mostra Drummond,
Testemunho da Experiência Humana, organizada pela Fundação Banco do Brasil, vai
retratar a vida e o pensamento do poeta mineiro, incluindo a infância, o início
e a conclusão dos estudos, a vida
familiar, seu casamento e as obras.
De acordo com Eder Melo, diretor de Desenvolvimento Social
da Fundação Banco do Brasil, é o lado cronista de Drummond que vai ser
ressaltado na exposição. “Queríamos homenageá-lo sob essa perspectiva, que é a
menos explorada nas mostras sobre o escritor, por isso o tema”, disse.
Serão apresentadas todas as capas de livros de Carlos
Drummond de Andrade e citadas várias crônicas e poemas, entre eles os que falam
de acontecimentos históricos brasileiros e mundiais, alguns trazendo ao lado a
notícia que saiu no jornal sobre o fato abordado.
”Nas crônicas, Drummond trata, com sua elegância e fineza
habituais, de problemas rotineiros e de grande importância, como a falta de
água e a especulação imobiliária no Rio de Janeiro, acidentes comuns da vida
urbana, a sobrevivência das culturas indígenas, as igrejas de escravos no
período colonial mineiro, a nobreza do samba de Cartola” disse Melo.
O público poderá conferir gratuitamente a exposição de terça
a domingo, das 9h às 21h, na área externa do Centro Cultural Banco do Brasil,
até o dia 10 de fevereiro.
A mostra sobre o artista mineiro, cujo nascimento completou
110 anos em 2012, faz parte do Projeto Memória, e vai passar por 1.000
municípios brasileiros até dezembro de 2013. O projeto prevê ainda a
distribuição da fotobiografia de Drummond a todas as cerca de 6 mil bibliotecas
públicas listadas no cadastro da Biblioteca Nacional
Fonte:http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu-estudante/cultura/2012/12/17/Cultura_Interna,339725/exposicao-sobre-a-vida-e-a-obra-de-carlos-drummond-de-andrade.shtml
sábado, 10 de novembro de 2012
Tecnologia não vai modificar a literatura, diz presidente da ABL
A internet e os novos dispositivos eletrônicos de leitura
não vão mudar a essência da literatura. A avaliação é da presidente da Academia
Brasileira de Letras (ABL), Ana Maria Machado. Ela participou nesta sexta-feira
da Festa Literária Internacional das Unidades de Polícia Pacificadora (Flupp),
que será realizada até domingo na comunidade do Morro dos Prazeres, em Santa
Teresa. Ana Maria conversou com um grupo de crianças e adolescentes de escolas
públicas do Rio e respondeu a perguntas da plateia.
"A tecnologia não vai modificar a literatura. Pode
mudar o mercado de livros. Mas a literatura é a mesma desde que existe a
linguagem. Muito antes de existir a escrita, já existia Homero, com a Odisseia
e com a Ilíada. A literatura já foi escrita em papiro, em pergaminho, em rolo,
em tablita tabletes de argila. O que muda é o suporte dela, se é uma tela de
computador ou se é um livro, isso é secundário."
Autora de 140 livros, com cerca de 19 milhões de exemplares
vendidos, traduzidos para diversas línguas, a presidenta da ABL disse que ainda
não disponibilizou nenhuma obra em formato eletrônico. "Enquanto não se
descobrir como remunerar o direito autoral, fica só a pirataria".
Sobre a presença da ABL na Flupp, realizada em uma área onde
antes da pacificação das UPPs aparecia quase diariamente na imprensa por causa
de tiroteios envolvendo o tráfico de drogas, Ana Maria disse que a academia tem
uma ligação histórica com as favelas.
"A gente tem que lembrar que o fundador da academia,
Machado de Assis, nasceu no Morro da Providência, a primeira favela do Brasil.
Nossa presença aqui é uma volta ao lugar de onde nunca deveríamos ter saído.
Não devíamos ser uma cidade partida. Devemos todos estar juntos, na grande
síntese cultural brasileira."
Uma das perguntas feitas pelos estudantes à autora foi sobre
qual era o prazer de sua profissão. "O prazer de ser escritora é poder
tocar o outro. Poder chegar à mente, ao coração de outras pessoas. Falar em
nome dos outros. Fazer com que o outro se reencontre na gente e que cada um se
conheça mais pelo o que a gente escreveu."
Agência Brasil
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Britânicos dizem estar perto de traduzir escrita antiga não decifrada
Equipe pede ajuda do mundo para desvendar segredos de texto.
Peça foi escrita por civilização que viveu há 5 mil anos no
Oriente Médio.
Da BBC
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| Escrita proto-Elamita (Foto: divulgação) |
A luta de estudiosos para desvendar segredos de cinco mil
anos guardados na escrita mais antiga do mundo ainda não decifrada pode estar
chegando ao fim.
Um projeto internacional de pesquisa, liderado pela Oxford
University, na Inglaterra, já lança luz sobre uma sociedade perdida que viveu
na Idade do Bronze, no Oriente Médio, cujos trabalhadores escravos viviam com
rações mínimas de alimento, à beira de morrer de fome.
"Acho que estamos finalmente a ponto de romper a
barreira", disse Jacob Dahl, acadêmico do Wolfson College da Oxford
University e diretor do Ancient World Research Cluster.
A escrita usada por essa civilização é chamada de
proto-Elamita e foi usada entre 3200 AC e 2900 AC em uma região que corresponde
hoje ao sudoeste do Irã.
A arma secreta de Dahl para decifrar o código é um aparelho
capaz de ver a escrita com uma clareza nunca conseguida antes.
A máquina tem forma de uma abóbada e emite flashes de luz
sobre objetos que contêm amostras da escrita.
Os flashes fazem parte de um sistema computadorizado que usa
uma combinação de 76 tipos de luzes para captar cada pequena ranhura ou sulco
na superfície dos objetos.
Assim, os cientistas conseguem produzir uma imagem virtual
que pode ser vista de todos os ângulos possíveis.
A análise está sendo feita no museu Louvre, em Paris, onde
está a maior coleção de amostras desse tipo de escrita do mundo.
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| A placa sendo pesquisada (foto: divulgação) |
Esforço Coletivo
Dahl e sua equipe pretendem disponibilizar as imagens pela
internet. O objetivo é que o público e outros acadêmicos ajudem na
decodificação dos textos.
"Estamos enganados quando achamos que quebrar um código
tem a ver com um gênio solitário que de repente entende o significado de uma
palavra. O que funciona com mais frequência é o trabalho paciente de uma equipe
e o compartilhamento de teorias. Colocar as imagens na internet deve acelerar
esse processo."
Até agora, Dahl já decifrou 1.200 sinais mas disse que,
depois de mais de dez anos de estudos, muito ainda se desconhece - mesmo
palavras básicas como vaca ou gado.
"É um território desconhecido da história da
humanidade", ele disse.
Escrita adulterada
Mas por que essa escrita seria tão difícil de interpretar?
Dahl acha que sabe, em parte, a resposta. Ele descobriu que
os textos originais parecem conter muitos erros - e isso dificulta o trabalho
de encontrar padrões consistentes.
Ele diz acreditar que isso se deva à ausência de estudo e
aprendizado naquela sociedade. Os estudiosos não encontraram evidências de
listas de símbolos ou exercícios para que os escribas aprendessem a preservar a
precisão da escrita.
Isso teve conseqüências fatais para o sistema de escrita,
que foi sendo adulterado e depois desapareceu após apenas 200 anos.
"A falta de uma tradição de estudos significou que
muitos erros foram cometidos e o sistema de escrita pode ter se tornado
inútil", disse Dahl.
O que dificulta ainda mais a decodificação é o fato de que
esse é um estilo de escrita diferente de qualquer outro daquele período.
Além disso, não foram encontrados textos bilíngues - recurso
que auxiliaria muito o trabalho dos pesquisadores.
Segundo Dahl, a escrita proto-Elamita foi elaborada a partir
de uma língua da Mesopotâmia que foi alterada.
Vida dura
As placas usadas para o registro dos símbolos da escrita
revelam detalhes íntimos dos escribas: algumas trazem as marcas das unhas dos
autores.
Os pequenos símbolos e desenhos, gravados no barro de forma
ordeira e cuidadosa, são claramente o produto de uma mente inteligente.
Embora ainda envoltos em mistério, os textos permitem que
vislumbremos um pouco da realidade vivida por esse povo.
Segundo Dahl, os textos incluem um sistema de numeração, o
que indica que muitas das informações contidas nas placas são de natureza
contábil.
A sociedade era agrícola e bastante simples. Havia uma
camada de líderes, figuras poderosas de nível médio e trabalhadores - que eram
tratados como se fossem "gado com nomes".
Os líderes tinham nomes que refletiam seu status - o
equivalente a alguém ser chamado de "Senhor Cem" para indicar o
número de pessoas que estavam abaixo dele.
Dahl disse que é possível saber qual era a dieta dos
trabalhadores: cevada, possivelmente triturada para formar um mingau e cerveja
fraca. A quantidade de alimento que eles recebiam ficava pouco acima do limite
da sobrevivência.
Aqueles de status mais elevado comiam iogurte, queijo e mel.
Eles também criavam cabras, carneiros e bois. "Sua expectativa de vida
pode ter sido tão longa como a de hoje", disse Dahl.
Dahl tem esperanças de que, com apoio suficiente, os
segredos dessa última grande escrita, remanescente dos primórdios da nossa
civilização, poderão ser finalmente desvendados.
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